segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

MACAQUITOS

Passados mais de cem anos da Abolição da Escravatura no Brasil (13/05/1888), sempre é importante fazer novas reflexões sobre o preconceito racial e a condição do negro, não só no Brasil como no mundo. Este texto foi escrito por mim já faz um bom tempo, quase dez anos, por isso alguns exemplos são datados, mas a reflexão ainda é pertinente.

Arte de Alex Doeppre
Estamos acompanhando nos últimos anos, uma possível retomada de partidos de extrema direita na Europa, inclusive com disputas acirradas e até vitórias em eleições. Também, na Europa, surgem grupos neonazistas com manifestações fortes, que acabaram chegando ao futebol. A Europa é o centro financeiro do futebol. Para lá, rumam atletas dos quatro cantos do planeta, marcadamente da América do Sul e África, onde os negros têm forte ascendência no futebol. Agora vemos craques de renome internacional que tem a tês escura sofrerem agressões verbais e porque não dizer morais por parte de torcedores que inclusive desfraldam nas arquibancadas bandeiras estampando símbolos nazi-fascistas.

Por aqui tivemos em 2005 manifestações em Caxias por parte da torcida do Juventude contra o jogador Tinga do Internacional e também o caso “Grafite”. O jogador, então do São Paulo, foi chamado por seu adversário argentino da equipe do Quilmes de “negro”, “macaquito”, como uma forma ofensiva que acabou levando-o para traz das grades. Alguns comentaristas acharam exagero à prisão. De minha parte, confesso que não tenho uma opinião formada. Mas não tenho dúvida de que algo deveria ser feito, pois é inadmissível, em pleno século XXI tal postura do jogador argentino.

Agora, fico me questionando: será que os argentinos chamariam os jogadores da seleção norte-americana de basquete, predominantemente negros de “macaquitos”? Me parece, no caso Brasil e Argentina, que a questão vai além do preconceito racial. Não lhes parece?

Texto: Denilson Rosa dos Reis
Ilustração: Alex Doeppre (RS)