segunda-feira, 13 de junho de 2011

ELEIÇÕES 2004


Amigos, o artigo deste é mês é datado, mas ainda não tinha postado na internet.

Encerrado mais um pleito municipal, Alvorada apresentou como resultado a mudança na direção da prefeitura. Após oito anos de Administração Popular (PT e seus aliados), a oposição, formada por partidos que governaram a cidade antes do PT e tendo a frente o PTB, assume o comando. Passada a disputa, as comemorações e as frustrações, ficamos com as reflexões.

Acompanhamos uma eleição bastante diferente em nossa cidade. Por um lado, o PT, a exemplo da campanha que levou Lula ao Palácio do Planalto, achou parceria no PL: o partido dos “trabalhadores” coligado com o partido dos “patrões”. O PT fez uma das campanhas mais caras que já se presenciou, acredito até que a maior. Fica paradoxal ver o PT usar das mesmas armas da direita para manter o poder. Por outro lado, o PTB/PDT/PMDB, ao que parece, usaram expedientes pouco éticos, as chamadas “baixarias” para desmerecer o candidato petista, e as pichações nos muros da cidade ainda estão aí para mostrar, pois provar ninguém realmente poderá.

Em que pese tudo isso, o pleito foi disputadíssimo, a vantagem de aproximadamente 7 mil votos ao vencedor poderia mudar com os quase 11 mil votos somados dos outros candidatos com os brancos e nulos. Este foi outro ponto interessante, mesmo com campanhas caras do PT e do PTB, 10% do eleitorado disse não aos dois: nem o continuísmo do PT, nem à volta ao passado dos partidos tradicionais da cidade.

Quanto a Câmara de Vereadores, ganhou a vaga quem investiu pesado na campanha. Maior propaganda ainda é sinônimo de mais votos. Urge revermos estas coligações pouco ideológicas e meramente eleitoreiras como as dos dois candidatos majoritários, bem como os gastos de campanha e a obrigatoriedade do voto. Daqui a dois anos, tem mais, e mudanças são necessárias para o avanço da democracia em nosso país.

Texto: Denilson Rosa dos Reis
Ilustração: Alex Doeppre (RS)

segunda-feira, 16 de maio de 2011

13 DE MAIO


Em 13 de maio de 1888 a Princesa Isabel assinou a Lei Áurea, decretando oficialmente o fim da escravidão no Brasil, último país que ainda mantinha o escravismo na forma da lei. Passado mais de 100 anos, um século após, os afro-brasileiros têm o que comemorar ou refletir?

A Lei Áurea não nasceu da boa vontade da Princesa, mas foi fruto de um intenso movimento abolicionista e também dos interesses de escravocratas decadentes que visavam se livrar de escravos dos quais não vislumbravam mais lucros. Anterior a Lei Áurea, tivemos a Lei do Ventre Livre (1871) que não teve êxito, pois não veio acompanhada de creches para os recém-nascidos. Já a Lei dos Sexagenários (1885) também não vingou, pois faltou ao governo providenciar asilos para os libertos.

Assim como nas leis anteriores, na Áurea, o governo não criou condições para o futuro dos ex-escravos, como o fomento de um amplo mercado de trabalho capaz de absorver esta nova mão-de-obra, agora assalariada.

Os dias de hoje são reflexos de nossa História. Quando vemos os afro-brasileiros, todos descendentes de escravos, marginalizados e compondo a maioria da população miserável do país, conseguimos compreender os caminhos da História.

Como nós somos os protagonistas da História, podemos traçar novos rumos para a sociedade brasileira e, assim, revertermos um erro que ainda não conseguimos corrigir.

Texto: Denilson Rosa dos Reis
Ilustração: Joe Nunes (RS)

terça-feira, 12 de abril de 2011

ASSIM CAMINHA A HUMANIDADE

Nos últimos meses andei lendo alguns “gibis” (revistas em quadrinhos) com a temática ‘western’. Estas HQs (histórias em quadrinhos) normalmente retratam o chamado ‘Velho Oeste’, onde homens andavam armados com seus revólveres na cintura, prontos para resolverem suas diferenças, quando necessário, na “bala”.


Lembrei-me destas HQs durante minhas férias. Estava no Litoral gaúcho e numa madrugada de sábado para domingo acordei com o barulho de disparos de revólveres, gritos histéricos de mulheres e sirenes de carros policiais.


Durante toda a história da humanidade, em muitos episódios, os seres humanos têm resolvido suas diferenças mais pelo instinto selvagem da violência do que pela razão e respeito à vida.


Com o aumento populacional ocorrido na segunda metade do século passado (século XX), os casos de violência e acertos de contas têm aumentado proporcionalmente à população. Quando se conversa com os jovens – grupo social que mais se envolve com a violência – vemos que os motivos são pouco relevantes: “não fui com a cara dele”; “ficou cuidando a minha mina”; etc.


A cada dia que passa, vemos as tragédias repetirem-se, mas aquilo que alguns anos atrás era notícia catastrófica, hoje não passa de estatística de plantão de polícia.


Texto: Denilson Rosa dos Reis

Ilustração: Luciano Irrthum (MG)



quinta-feira, 10 de março de 2011

ANGLICANISMO EM ALVORADA


O culto Anglicano tem sua origem na Inglaterra, tendo sido oficializado no período da Reforma Religiosa a partir do rei Henrique VIII, que, em alguns livros de história e tido como criador da Igreja Anglicana, quando na realidade apenas oficializou um culto antigo no país. Da Inglaterra a Religião Anglicana – que tem as mesmas características da Religião Católica e, podemos assim dizer, é irmã da Religião Luterana – espalhou-se pelos quatro cantos da Terra. A chegada no Brasil deve-se a missionários vindos dos Estados Unidos.


Em Alvorada ela chegou por volta de 1954 quando foi criada a Missão de São Miguel e Todos os Anjos. É chamada de Missão, pois possui aproximadamente 70 membros. Para ser uma Paróquia teria de possuir algo em torno de 100 membros. Quem trouxe a Igreja para Alvorada foi o Reverendo Nadir Simões Mattos. O Reverendo Nadir, que era cunhado de Leonel Brizola, foi um grande missionário e sempre esteve na busca de novas congregações a trabalho da Diocese – sede da Igreja, situada em Teresópolis, Porto Alegre. Foram também responsáveis pela fundação da Igreja em Alvorada os casais: Tertuliano e Eva Martinez, Valter e Maria Quintilhano e André e Francisca Manique Barreto.


Além da Igreja, é criada a Escola Euclides da Cunha, vinculada a Igreja. A Igreja e a Escola funcionaram em uma casa alugada na Rua Maria do Carmo até a compra definitiva de um terreno na Rua Ricardo Faique Nunes, 124, parada 44. A vinda da Igreja está intimamente ligada à questão da Educação. O Passo do Feijó fazia parte do 3º Distrito de Viamão, que não atendia plenamente as carências educacionais. A falta de uma Escola no Distrito foi percebida pelos Diretores do Colégio Cruzeiro do Sul, tradicional Instituição de Ensino de Porto Alegre. Como a intenção era abrir uma Escola, criou-se também a Missão.


A Escola Euclides da Cunha oferecia o Curso Primário, e quem ministrava as aulas era o Professor Sérgio e sua esposa Professora Lori, que foram substituídos depois pelo Professor Auri Maia e Professora Norci. É importante ressaltar que os Professores eram também Seminaristas da Igreja, portanto tinham também a questão da fé junto a Educação. Com a emancipação de Alvorada, a Educação passa a receber uma preocupação maior por parte do poder público. A Igreja resolve, desta forma, fechar a Escola Euclides da Cunha. Os móveis e utensílios foram doados para uma Escola Municipal.


Na Segunda metade da década de 1960 vieram para Alvorada uma série de famílias oriundas da Missão do Advento da Quebrada do Rio dos Sinos, Município de Santo Antônio da Patrulha, hoje Caraa. Famílias de Antônio e Maria Machado dos Reis, Alziro e Nadir Rangel dos Reis e Adolfo e Adélia Muniz dos Reis e seus descendentes compõem hoje o grosso da atual congregação de Alvorada. Em 1989 um incêndio destruiu toda a capela da Igreja, não sobrando móveis nem documentos sobre a Igreja em Alvorada, o que prejudica um trabalho de pesquisa. Atualmente a congregação luta para manter a Missão e comemora a construção do novo Templo.


Texto: Denilson Reis

Originalmente publicado no livro Raízes de Alvorada

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

NADA VAI NOS SEPARAR

Na saúde e na doença, na alegria e na tristeza. Assim começa um matrimônio. Já se disse que o amor que temos pelo nosso clube de futebol é como um casamento e que “nada vai nos separar”. Desta forma, como fiz nos momentos alegres que tive com o Internacional, quero compartilhar a “momentânea” tristeza pelo fracasso no Mundial de Clubes FIFA 2010.


Outros momentos difíceis e alguns tão tristes quanto o atual já passei neste casamento eterno com o Inter. Por duas vezes “quase” vi meu clube ser rebaixado para a Série B do Brasileirão; perdemos uma final de Libertadores para o Nacional do Uruguai; fomos desclassificados dentro do Beira-Rio numa semi-final de Libertadores para o Olímpia do Paraguai – esta a maior frustração que presenciei; perdemos duas finais de Brasileirão e uma de Copa do Brasil; Mas, nada me fez separar do Internacional.


Por outro lado, olho as glórias: maior vencedor de regionais; maior vencedor de clássicos regionais; Tri-campeão Brasileiro e único de forma invicta (1979); Campeão da Copa do Brasil 1992; 4 títulos continentais – 2 Libertadores, 1 Recopa e 1 Sul-americana; e Campeão do Mundo FIFA 2006. O único Campeão de Tudo!


Para mim que encaro o futebol como uma paixão e não uma guerra, que respeito o adversário tanto na alegria como na tristeza, tinha que ter a hombridade de manifestar neste momento minha tristeza para todos que acompanharam meus artigos onde exaltei as glórias do Internacional. Afinal, “nada vai nos separar”.


Texto: Denilson Reis

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

ELEIÇÕES 2010: QUE ONDA É ESSA?


Imagem: Diego Müller
As eleições 2010 trouxeram para o debate político a chamada “onda verde”. Além disso, tivemos a eleição de uma figurassa, o Tiririca. Tal como ocorreu na eleição do Lula fomos para o segundo turno com Dilma e Serra.


Em primeiro lugar, quero questionar esta tal “onda verde”. É inegável que a candidata do PV, Marina Silva fez uma votação extraordinária frente às candidaturas milionárias do PT de Dilma e do PSDB de Serra. Mas ao olharmos para os candidatos aos demais cargos, onde está o Partido Verde? Não elegeu nenhum Governador e nem Senador; serão apenas 15 verdes na Câmara dos Deputados. Ou seja, os votos em Marina nada estão relacionados a “onda verde”. Acredito que é o descontentamento com os chamados “majoritários” e sua política neoliberal.
Descontentamento e brincadeira também levaram o Tiririca a tornar-se Deputado Federal com a maior votação do país. Não vamos acreditar em projeto de um cidadão que debochou da própria condição de vir a ser Deputado. Neste mar de corrupção e falcatruas que dominam Brasília desde 1960, o povo resolveu exercer o voto do deboche e tome Tiririca neles. Aliás, são vários os “tiriricas”...
Ir para um segundo turno com o primeiro colocado com quase 50% dos votos e o segundo bem abaixo dos 40% é “torrar” a paciência do povo com mais campanhas eleitorais, deslocamento as seções em mais um domingo. Além dos exorbitantes gastos de campanha e de estrutura para a realização da votação. Segundo turno só deveria ocorrer em casos de o chamado empate técnico. Ou alguém acreditava em reversão dados os números do primeiro turno?
Para finalizar, está chegando o momento de liberar a população da obrigatoriedade do voto. Só assim vamos diminuir o risco de elegermos os “tiriricas” da vida, além de desobrigar eleitores descontentes com os projetos neoliberais de Dilma e Serra de votarem nulo.

Texto: Denilson Rosa dos Reis
Ilustração: Diego Müller (Estância Velha/RS)

terça-feira, 19 de outubro de 2010

A REBELIÃO DAS MÁQUINAS

Uma das séries cinematográficas mais espetaculares que vem atravessando décadas é “O Exterminador do Futuro”. Acompanhei todos os quatro filmes da série, todas muito boas. Mas, quando assisto aos filmes, lembro-me de um personagem histórico chamado Ned Ludd.

Ned Ludd foi um artesão que viveu no final do século XVIII, em Leicestershire, na Inglaterra. Era considerado um lunático que penetrava nas fábricas à noite e reduzia a pedaços as máquinas de tecelagem. Entre 1811 e 1816 o Movimento Ludista – inspirado em Ned Ludd – dedicava-se à destruição das máquinas e protestos contra a tecnologia. Argumentavam que as máquinas levariam ao fim da humanidade, pois tiravam seus serviços, levando ao desemprego, miséria, etc. Afinal, Ned Ludd e o Movimento Ludista eram realmente um bando de lunáticos ou seriam visionários?

Não cabe dúvida que a tecnologia vem avançando a passos largos desde que os Ludistas começaram a quebrar as máquinas. Conforme a tecnologia avança, as máquinas vão substituindo a mão-de-obra dos humanos. Onde isso nos levará? Segundo a série, as máquinas tomarão conta dos seres humanos, que terão de lutar como sub-raça contra o poderio tecnológico das máquinas. Muitos poderão argumentar que é apenas uma série de Ficção Científica, mas ela – a Ficção Científica – já antecipou muitas coisas que viríamos a desenvolver depois.

Não vamos ressuscitar o Movimento Ludista, mas uma tecnologia poupadora de mão-de-obra deve abrir caminho para outra forma de sobrevivência do trabalhador.

Texto: Denilson Rosa dos Reis

Ilustração: Diego Müller (Estância Velha/RS)