domingo, 10 de junho de 2012

O QUE É FANZINE


 “tome zine, zine, zine, zine, zine papel xerox
todo fanzine é preto e branco e todo preto e branco pode ter”
Hanói Hanói, banca carioca (década de 1980)

Ilustração de Alex Doeppre
Fanzineiro é a pessoa que faz Fanzine. Mas o que é Fanzine? O termo é a contração das palavras “fanatic” (fã) e “magazine” (revista), ou seja, uma revista do fã. Para Henrique Magalhães, autor do livro, O que é Fanzine, da editora Brasiliense: “O Fanzine é uma publicação alternativa e amadora geralmente de pequena tiragem e impressa artesanalmente. É editado e produzido por indivíduos, grupos ou fãs-clubes de determinada arte, personagem, personalidade, hobby ou gênero de expressão artística, para um público dirigido e abordando, quase sempre, um único tema” (p. 09). Veja o exemplo: Se uma pessoa é fã do Batman, junta informações sobre o personagem, algumas ilustrações e até uma HQ (história em quadrinhos) do personagem, monta um jornalzinho e distribui para os colegas. Esta pessoa fez um Fanzine, portanto é um fanzineiro.

Os primeiros fanzines surgidos estavam ligados a temas de ficção científica, principalmente com a publicação de contos do gênero. Autores da geração bitnik também apresentaram seus trabalhos em fanzines. A partir da década de 70 do século passado com a explosão do movimento punk, começaram a proliferar uma grande quantidade de fanzines abordando a cena e também divulgando a ideologia anarquistas. Estes fanzines ficaram conhecidos com fanzines anarco-punks. Nas HQs temos três formas de fanzines: o que analisa as HQs, o que publica HQs e os que fazem uma mistura dos dois. As HQs publicadas são de artistas que ainda não ocuparam espaço no meio profissional, o que, em tratando-se de Brasil é algo muito difícil.

Resolvi publicar este artigo pois sou fanzineiro e a palavra, que aparece no meu perfil, deixou alguns leitores curiosos. Edito uma série de fanzines, sendo que o principal é o Tchê (blog), fanzine onde publico HQs de autores de auto nível, inclusive alguns profissionais, além de textos sobre quadrinhos, música e cinema. Outros fanzines que edito são: Blueseria (blog), Sonoridades Múltiplas (blog), Essência Poética, Caverna dos Gibis, TelaHQ, Arquivo, o informativo O Muro, A Tréplica, além de editar duas revistas de quadrinhos, estas impressas em gráfica com acabamento profissional: Quadrante Sul (blog) e Peryc, O Mercenário (blog).

Prezados amigos, prestigiem os fanzines!

Texto: Denilson Rosa dos Reis
Ilustração: Alex Doeppre (RS)

quarta-feira, 23 de maio de 2012

FUTEBOL: UMA PAIXÃO


Ilustração de Marcelo Tomazi
O futebol tem a capacidade de nos deixar apaixonados. Quem já freqüentou um estádio lotado sabe disso. Quando a multidão começa a gritar o nome do time, é de deixar qualquer um arrepiado, as lágrimas parecem querer brotar de nossos olhos, vencer um jogo no último lance, então, é pura emoção. Estão querendo roubar este sentimento do povo brasileiro. O grande historiador inglês Eric Hobsbawn dedica um trecho de “A Era dos Extremos” para falar do futebol brasileiro, mas estão tentando acabar com esta paixão.

Estamos começando mais um Campeonato Brasileiro de Futebol, serão 38 rodadas até que saibamos quem somou mais pontos e terá o direito de erguer a taça. Mas, será que vai erguer a taça quem realmente somar mais pontos. Eu ainda não esqueci o Campeonato Brasileiro de 2005. Quem esqueceu, veja o que eu escrevi e publiquei na época.

Ver o final do Campeonato Brasileiro com duas torcidas comemorando o título de forma constrangedora pode ser o ponto final do futebol no país. Quem é, de fato, campeão brasileiro 2005? Depois de 26 anos a torcida colorada viu seu título ser levado do Rio Grande por um “canetaço” do senhor Zveiter. Contrariando todos os precedentes do futebol mundial, Zveiter anulou 11 partidas “suspeitas” de manipulação. A lei é clara, somente quando constatado de fato um erro ou uma manipulação, uma partida pode ser anulada. Zveiter rasgou a lei e num ato de total prepotência favoreceu uma equipe. A torcida corintiana nada tem a ver com isso, mas o título ficou manchado.

O que fez o Clube dos 13? Calou! A CBF? Respaldou e ainda ameaça rebaixar o Inter e incentiva terceiros a mover ações judiciais neste sentido. A Comenbol ameaça tirar a vaga que o clube gaúcho conquistou para a Libertadores 2006. Porque tanta pressão? O sonho acabou, não sejamos ingênuos. Alguns campeonatos já começam com todos sabendo quem será o campeão, mesmo que no decorrer tenha que rolar um “canetaço”.

Lembram? Nós colorados ainda não esquecemos. Só um título do Campeonato Brasileiro poderá fazer-nos passar por cima desta mancha em nossa história.

Texto: Denilson Rosa dos Reis
Ilustração: Marcelo Tomazi (RS)

domingo, 22 de abril de 2012

CAPITALISMO X SOCIALISMO


Arte: Alex Doeppre

Em janeiro de 2005 ocorreu um debate sobre a bipolaridade capitalismo/socialismo nas páginas do jornal Correio do Povo de Porto Alegre a partir de uma resposta minha ao leitor Lúcio Borges que sentenciou que o socialismo é um “estelionato ideológico”. Confira, a seguir, o debate entre este articulista e o senhor Lúcio Borges que também contou com a participação de outros leitores do jornal.

“Dizer que o socialismo é um ‘estelionato ideológico’, como fez o leitor Lúcio Borges, é no mínimo desconhecer o processo histórico. Um pensamento ideológico não deve pagar por possíveis erros cometidos por pessoas ou governos. No mais, ‘estelionato’ é o que faz o capitalismo ao nos vender a ilusão da liberdade e do paraíso e nos deixar cada dia mais escravos do sistema.” (Denilson Reis)

“Capitalismo ou socialismo, para o povo não interessa o tipo de governo. As pessoas querem ganhar um salário que possa sustentar suas famílias e educar seus filhos.” (Joaquim Bentacur)

“O leitor Denílson Reis afirma que desconheço o processo histórico do socialismo. Historicamente, é sabido e notório que o socialismo não deu certo e só gerou pobreza, desgraça e miséria. Se era tão bom assim, por que tantas pessoas fugiram da Alemanha Oriental e tantas outras fogem de Cuba?” (Lúcio Borges)

“Em relação à carta de Lúcio Borges, esquece o leitor que a Alemanha foi espólio da guerra que iniciou e perdeu. Pagou pouco pelo mal que fez contra a população civil quando invadiu a Rússia. O muro deveria existir até hoje. Quanto aos cubanos que vão ilegalmente para os EUA, são em número muito menor do que os brasileiros que fazem o mesmo.” (Moacyr Freitas)

“O leitor Lúcio Borges fala sobre dois exemplos em que o socialismo não deu certo. Volto a repetir, não podemos negar um sistema por erros cometidos por pessoas ou por governos em sua implantação. Gostaria que o leitor procurasse uma sociedade em que o capitalismo proporcionasse benesses ao conjunto da população, não a um grupo privilegiado, dono dos meios de produção.” (Denilson Reis)

“Talvez o leitor Denilson Reis defenda o socialismo porque não sabe dos bons resultados sociais obtidos por sociedades capitalistas. No capitalismo, a economia depende do trabalho feito e dos riscos assumidos pelos cidadãos, e não do planejamento centralizado de um elite. O governo se empenha na regulamentação da economia e na provisão de serviços essenciais como a saúde e a educação. A Austrália, o Japão e os países da Escandinávia são bons exemplos.” (Ian Alexander)

“A carta de Ian Alexander só me faz reafirmar minhas convicções sobre o socialismo, pois seus pressupostos pregam a igualdade social. Por isso, defendo o socialismo e critico o capitalismo, que apenas nos dá esmolas. Não quero viver numa sociedade em que temos de  nos contentar com aquilo que os donos dos meios de produção admitem que a grande maioria possua. O acesso aos bens e serviços deve ser igual para toda a sociedade.” (Denilson Reis)

“Enquanto em Maastrich realizou-se a I Semana Européia de Responsabilidade Social Corporativa, patrocinada pelo governo holandês, pela Comissão Européia e por ONGs, nossos modernosos governantes, alçados de tupiniquins a globalização, ainda praticam a renúncia de receita pública em favor de empresas concentradores de renda. E, qual neobobos, ficamos nós outros a atestar o óbito do socialismo e a entoar glórias ao capitalismo.” (Juarez Guilhon)

“Leitor pediu que procurasse uma sociedade em que o capitalismo proporcionasse benesses ao conjunto da população. Alguns: Estados Unidos, Canadá, Finlândia, Islândia, Noruega, Suécia, Dinamarca, Holanda, Suíça, Áustria, Inglaterra, França, Itália, Espanha, Portugal e inúmeros outros. Informo também que não existe socialismo sem capitalismo.” (Homero Itaquy)

“Nos países da Escandinávia, temos o capitalismo, mas com vigorosa orientação e regulamentação governamental, dirigidas ao bem-estar social: nos demais, temos desenvolvimento econômico concentracionista, não necessariamente desenvolvimento social. As benesses do capitalismo, nos países de economias desregulamentadas, são ínfimas em relação às mazelas que deixam, pois aí predomina o capitalismo selvagem e predatório.” (Juarez Guilhon)

“O capitalismo e o socialismo não são formas, nem sistemas, nem regimes de governo e sim são modos de produção, isto é, como os países se organizam para produzir e distribuir suas riquezas. Parece que no mundo contemporâneo não há um capitalismo nem um socialismo puro e sim um pouco de cada um. A história nos conta que no berço do capitalismo nasceu o cooperativismo, que é um ramo do socialismo. E quantas pessoas vimos se dizerem capitalistas autênticas e conduzirem-se para sistemas socialistas de produção?” (Luiz Tuparaí).

“Em resposta a Denilson Reis, no capitalismo as pessoas têm de se qualificar para não serem excluídas do processo (mercado de trabalho). Não podem ficar esperando pela benevolência do governo ou de entidades sociais. Já o socialismo tenta nivelar todo mundo por baixo.” (Lúcio Borges)

“Caro leitor Lúcio Machado Borges, concordo que, no capitalismo, as pessoas devam se qualificar para entrar no mercado de trabalho (CP 8/4). O problema é que a qualificação fica restrita aos que têm posses. Mas dizer que no socialismo se nivela por baixo é um equívoco. A educação em Cuba é de qualidade e estendida a toda a população.” (Denilson Reis)

“A afirmação do leitor Denilson Reis dizendo que a educação em Cuba é de qualidade não é verdadeira, pois, nas ditaduras, a educação é conduzida no sentido de bitolar professores e alunos; só pode ser ensinado o que serve à cúpula governante. O que pode haver em Cuba é escola para todos.” (José Disconzi)

“O leitor José Disconzi argumentou que, na ditadura de Cuba, a educação é conduzida no sentido de  bitolar professores e alunos, pois só é ensinado o que serve à cúpula. Mas no Brasil, não é a mesma coisa, apesar de nossa fachada democrática? No país de Fidel Castro, bem ou mal, ao menos há escola para todos, enquanto, aqui, milhares de crianças estão fora das salas de aula. Não defendo ditaduras, mas também não vejo liberdade e qualidade na educação pública brasileira.” (Leopoldo Arnold)

“O leitor José Disconzi diz que, com a ditadura castrista, é impossível educação de qualidade. Talvez seja verdade quando se tratar de formação ideológica, mas não vejo como o castrismo podar o conhecimento científico de cursos como Medicina, Arquitetura, Engenharia, Biologia, entre outras. Além do mais, se a ditadura bitola professores e alunos, não esqueçamos que no capitalismo vigora a ditadura do mercado.”  (Denilson Reis)

Ilustração: Alex Doeppre (RS)

quarta-feira, 14 de março de 2012

2012


Montagem: Jerônimo Souza (RS)
Prezados Amigos!
O ano de 2012 finalmente começa a tomar seu rumo. Primeiro formam as férias e depois o carnaval. Neste meio tempo fiquei longe da atualização dos meus blogs, inclusive este. Agora que retomamos o percurso normal das coisas comecei a pensar em alguns temas para expor aqui no blog A Tréplica para discutir com os amigos questões do cotidiano a partir de minha vivência esperando contribuir com todos.

Este ano teremos eleições municipais. As campanhas, embora tímidas, já estão na rua e como sempre os “conchavos” políticos já estão sendo amarrados para garantir 4 anos de poder. Tenho sido muito cético com os partidos e sei que não bastam boas intenções de parte de um candidato, pois o sistema acaba levando ele de roldão. Assim, continuarei a defender a não obrigatoriedade do voto.

Também estou pensando em escrever um pouco sobre a paixão do futebol e a Copa do Mundo no Brasil em 2014. Só para adiantar, tem muita maracutaia rolando nestes acordos para construção de estádios. É muita grana e tudo por pressão da FIFA. Tem me chamado a atenção como amigos tem usado o facebook e outras redes sociais para brincarem com a rivalidade entre clubes de uma mesma cidade. A brincadeira é válida, mas já vi algumas coisas fora de propósito e até baixarias. Tenho algo a dizer sobre isso e vou escrever um artigo em breve. Vejam bem, sou apaixonado por futebol, então, não será uma crítica raivosa de quem detesta futebol.

Para finalizar este bate-papo inicial falo um pouco sobre Educação. Estamos, nós professores, numa luta muito grande para cobrar do governo gaúcho o cumprimento do piso nacional sem mexer em nosso plano de carreira e em nossas conquistas históricas. Mas, entra governo e sai governo e a coisa é a mesma, o discurso governamentista é o mesmo e, olha que aqui no RS a oposição virou governo e o governo virou posição, mas parece que continua tudo igual. Há, estes políticos...  

Texto: Denilson Rosa dos Reis

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

PROTESTE JÁ


ARTE DE PAULO FERNANDO

Vivemos numa sociedade em que a moral está cada vez menor, refletindo-se em atos de corrupção política, violência, atrocidades e exploração. A cada dia que passa, desacreditamos mais e mais na classe política e nas “boas intenções” da classe dirigente. Não vemos a democracia na vida real, embora ela seja tão propalada nos meios de comunicação.

Recentemente, o músico gaúcho Tonho Croco – ex-vocalista da banda Ultramen – foi alvo de uma ação judicial por parte do Ministério Público, a partir de um ofício encaminhado por um deputado da Assembléia Legislativa do RS, por ter gravado uma música onde critica 36 deputados gaúchos que se auto-concederam 73% de reajuste salarial. Ora, num país onde os próprios políticos dizem que é impossível dar aumentos superiores a 10% aos trabalhadores, o ato dos deputados é um deboche.

Desta polêmica toda, gostei da postura do músico ao dizer que não podemos ficar passíveis a tais atos e que devemos protestar cada um a sua maneira. Uns fazendo passeatas, outros escrevendo para blogs e, no caso dele, fazendo música. O importante é usar sua criatividade e indignação para protestar.

Chegamos a um momento na sociedade que parece ser preciso pedir desculpas antecipadas, quando se pretende protestar contra algo ou alguém que está prejudicando um coletivo. Assim pergunto: onde está a tal democracia? Deputados, e outros que vivem de cargos eletivos ou por indicação, usarem os cofres públicos para engordar suas contas bancárias e resolver seus problemas individuais, à custa do sofrimento coletivo, é totalmente imoral. Proteste já!

Texto: Denílson Rosa dos Reis
Ilustração: Paulo Fernando (CE)

domingo, 11 de setembro de 2011

ALVORADA: 46 ANOS

Nossa cidade completa neste mês 46 anos. Veja um pouco de sua História através da trajetória da Família Rosa dos Reis.


A Família Rosa dos Reis é uma típica família alvoradense, formada no já emancipado Município de Alvorada. A família surgiu da união de Ari Teodorico Machado dos Reis e Maria Teresinha Gomes da Rosa, ambos oriundos do Município de Santo Antônio da Patrulha. A Família Reis deslocou-se para Alvorada em 1964 oriundos do Sertão do Rio dos Sinos – 5º Distrito de Santo Antônio da Patrulha. Já a Família Rosa chegou a Alvorada em 1965 vindo da Pedra Branca – 2º Distrito de Santo Antônio da Patrulha. A vinda foi resultado do problema da terra, ou melhor, da falta dela.


A Família Reis tinha como patriarcas Antônio e Maria Madalena Machado dos Reis e residiam em uma pequena chácara de 10 hectares com nove filhos. Assim, a terra era pouca, levando os filhos ao completar 18 anos a virem para Porto Alegre prestar serviço militar e depois ficavam em casa de parente para procurar trabalho. Quanto as meninas vinham para trabalhar em fábricas, tais como: Zivi-Hércules, Albarus, Taurus, Fogões Geral, Fogões Waling, Porcelana Renner, Matarazo... A Família Rosa tinha como patriarcas Bernardino Antônio e Guilhermina da Rosa e residiam em terras arrendadas. Portanto as perspectivas não eram nada boas e quando chegava a idade de trabalho o rumo era Porto Alegre. Desta forma ficava claro que o melhor para a família como um todo era juntar as economias possíveis e rumar para a zona urbana.


A escolha de Alvorada é uma questão socioeconômica. As famílias eram pobres e aqui os terrenos eram baratos, pois não havia nada de infra-estrutura – água, luz, esgoto, muitas ruas eram abertas em meio a chácaras para fins de especulação imobiliária. Também era uma oportunidade de iniciar um comércio – caso da Família Reis. O local escolhido para fixar moradia foi a Vila Fontoura, na rua Carlos Fontoura, a Família Rosa no nº 127 e a Família Reis no nº 421. A proximidade acabou aproximando Ari e Maria. A Vila Fontoura nesta época era um típico local surgido em meio a uma chácara. A luz foi instalada a partir de um mutirão dos moradores mais antigos a chegada das famílias, a água era de poço artesiano e o esgoto era a céu aberto. A Família Rosa e a Família Reis que deram origem a Família Rosa dos Reis é um exemplo do êxodo rural – deslocamento do campo para a cidade – do qual Alvorada abrigou e continua abrigando até os dias de hoje.


Texto: Denilson Rosa dos Reis

Texto originalmente publicado no livro Raízes de Alvorada

terça-feira, 23 de agosto de 2011

EDUCAÇÃO: A SAÚDE DO PROFESSOR


Ainda hoje, depois de quase 20 anos atuando no Magistério, escuto pessoas comentando que a vida de professor é um paraíso, qualquer data comemorativa vira feriado, tem dois meses de férias e trabalha poucas horas diárias. Realmente, o calendário escolar é flexível quanto aos feriados, pois dos 360 dias anuais, o aluno tem 200 dias letivos (aula). Isto também leva a possibilidade de 45 dias de férias mais o recesso de uma semana em julho. Quanto a poucas horas diárias, é uma opção pessoal e/ou de necessidade.


Com um salário básico de “três dígitos” e, no caso do Rio Grande do Sul, bem longe da casa dos 1000, muitos professores fazem concurso para 40h semanais e, assim que possível, pegam uma convocação de mais 20h, totalizando 60h semanais, o que leva o professor a trabalhar 3 turnos diários. Não podemos esquecer que além de estar na sala de aula por no mínimo 48h destas 60h, o professor precisa de tempo para preparar as aulas, elaborar e corrigir avaliações, além de buscar uma atualização permanente através de cursos, leituras e informações diárias do que acontece no mundo.


Somado a este quadro exaustivo de trabalho, temos um sistema que levou à corrupção governamental, desestruturação da família, entre outros tantos problemas que acabam estourando nas crianças, cada vez mais abandonadas por todos e largadas dentro das instituições de ensino, como local de redenção para suas vidas. Mas o resultado é desanimador. As crianças não apresentam limites e o conflito com um professor cansado e, muitas vezes estressado, é “quase” inevitável.


O resultado de tudo isso desemboca na saúde do professor. Os casos de professores que precisam de medicamentos antidepressivos é cada vez maior, sem falar numa parcela que, mesmo após medicamentos e terapias, a única solução é o afastamento de suas funções. A situação é muito séria!


Texto: Denilson Rosa dos Reis

Ilustração: Paulo Fernando (RS)